quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Menos uma dor de cabeça para Menezes

Luís Filipe Menezes recebeu ontem apoio total da concelhia do Porto do PSD para ser o candidato do partido à Câmara da Invicta. Um apoio unânime que não tinha outro remédio e que a Menezes fazia tanta falta como uma viola num enterro: o actual presidente da Câmara de Gaia já tinha avisado que atravessaria a ponte e concorreria à Ribeira do lado de cá, "em toda e qualquer circunstância". Era uma "decisão irrevogável", o PSD que se amanhasse. E amanhou.
Quanto a Rui Rio, engole o sapo e limpa a mesa e gavetas antes de sair. Honra lhe seja, o futuro ex-presidente da Câmara do Porto está a procurar arrumar a casa e resolver os dossiês mais bicudos da autarquia, para poder entregar ao seu sucessor uma herança leve como uma pena. Inimigos, inimigos, políticas à parte.
Por exemplo: lembram-se daquela mega-avenida inventada por Rui Rio em 2007 e que nunca mais saiu do papel nem vai a lado nenhum? A famigerada Avenida Nun'Álvares sobre a qual já aqui escrevi? Pois bem: pode ter passado despercebido à maioria dos portuenses, mas a verdade é que o assunto foi finalmente resolvido. A Avenida Nun'Álvares já não é um problema no Porto. Rui Rio mudou a placa. Agora chama-se Avenida D. Pedo IV.

                                                      Foto Hernâni Von Doellinger

Hoje há Mário Viegas


Na RTP Memória, a partir das 17 horas.

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Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Retrato de família

Foto Hernâni Von Doellinger

Éramos assim. A minha mãe, o meu pai, a Nanda, o Nelo e eu, que sou o Nane. Falta o Lando, porque começa por L e ainda não tinha nascido, mas estão a Mila e a Dulce, que eram como se fossem da família.
Ser-se da minha família era fácil. Bastava bater à porta, andar por ali. Ainda hoje não custa nada. Pode ser-se Lopes e ser meu irmão.
O Nestinho, por exemplo. Para além de começar por N, o que é logo uma grande vantagem, apareceu-me ontem em casa só para me dar um abraço. Interrompeu a Maratona do Porto, parou a famosa mota do meio milhão de quilómetros debaixo da minha varanda e correu escadas acima com aquela cara de sorriso-riso dos felizes da vida, dos puros, "só" para me dar um abraço.
O Nestinho é que ia à frente da maratona a indicar o caminho aos atletas. Segundo as últimas informações, os maratonistas estão agora a chegar a Freixo de Espada à Cinta.
Ontem foi um dia bom. Os da fotografia tornámos a estar todos juntos. A Dulce e a Mila não, têm as vidas delas, mas o Lando, apesar de começar por L e não constar no retrato, o Nane, o Nelo, a Nanda e a nossa mãe - a "mei". O nosso pai também lá esteve. Convidei-o eu.

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Foto Hernâni Von Doellinger

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O circo somos nós

Foto Hernâni Von Doellinger

Compreendo as bancadas vazias dos circos. Os circos são, por estes dias tristes e desesperançados, um luxo e uma redundância. Um anacronismo. A magia e o sonho são delito. A felicidade foi proibida por decreto. A gargalhada, se for popular, é considerada um desperdício. A "escola moderna" é aquela que ensina que a "vida não é só alegria", diz o ministro Nuno Crato. A escola moderna é aquela que fecha, digo eu. Não há dinheiro, não há circo.
O circo somos nós - camelos, ursos, jacarés em camisolas, asnos e leões mansos. Homens-bala de pólvora seca, malabaristas, contorcionistas, ilusionistas, equilibristas, palhaços - somos nós, porque nos mandam e porque somos o único circo a que temos direito. Vivemos na corda bamba e sem rede. Tiraram-nos a rede, esticam-nos a corda, caímos que nem tordos sem capacete. Por mim, deixo em testamento: quando já não houver ninguém em cima dela, podem também levar a corda. Usem-na.

Por outro lado: o circo está na cidade. E eu vou-me rir, vou-me rir, vou-me rir.

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Foto Hernâni Von Doellinger

terça-feira, 23 de outubro de 2012

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Foto Hernâni Von Doellinger

Querem matar os garranos

                                                                                       Foto Hernâni Von Doellinger

Agora é assim. Garrano que salte a cerca e não traga bilhete de identidade, é para abater. São as ordens da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), em resposta às solicitações da Câmara de Paredes de Coura, que andava muito preocupada com casos de culturas agrícolas vandalizadas ou acidentes provocados por animais "vadios". Tira-se-lhes a tosse e fica o assunto resolvido.
A hipótese campo de concentração chegou a ser ponderada pelo departamento governamental, mas acabou por cair, derivado aos custos envolvidos, em ração e choques eléctricos, optando-se então pelo extermínio directo. A solução final e barata.
Este era um trabalho desenvolvido até aqui por snipers locais em regime de freelance, sem o mínimo de condições, agora o Estado toma conta da pasta e tudo passa a ser feito como manda a lei.
Trata-se, de acordo com a DGAV, de uma medida "coerciva e pedagógica" e de combate ao pastoreio livre. Exactamente. Pode ser que, depois de abatidos, os animais aprendam finalmente a respeitar a propriedade privada. Porque estes animais são uns animais. E para animais, animais e meio - assim se pensou na Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária. O director-geral de Alimentação e Veterinária chama-se Nuno Vieira e Brito.
Este projecto de vanguarda, já no terreno, é a rampa de lançamento de um mais vasto e ambicioso programa interministerial de limpeza de "vadios", que prevê, numa segunda fase, o abate de pilha-galinhas daltónicos, ladrões de melancias que calcem mais de 43, sem-abrigo embrulhados em caixas de cartão de frigoríficos Indesit e peões atropelados em passadeiras e que ainda mexam.

Cuidam que é mais uma das minhas? Não é, lamentavelmente. É assunto sério, notícia de ontem a que cheguei através do blogue Mais pelo Minho, que cita a Rádio Vale do Minho.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Por falar em inquérito

No dia 22 de Novembro de 2011, o então procurador-geral da República, Pinto Monteiro, ordenou um "inquérito urgente" para apurar responsabilidades na fuga de informação no caso das detenções de Duarte Lima e do seu filho, Pedro Lima. A palhaçada tinha sido cinco dias antes.
Perante a "urgência" da coisa e a evidente determinação do Senhor Procurador-Geral, deixei passar uma semana e perguntei pelo resultado do inquérito. Mas nada. E deixei passar quinze dias e voltei a perguntar. E nada. E um mês depois tornei à carga. E ainda nada. E na passagem do primeiro meio aniversário, a 22 de Maio de 2012, quis celebrar a efeméride procurando novidades. Mas nada de nada. Nunca mais de soube nada.
O inquérito não foi urgente e se calhar nem foi inquérito. Pinto Monteiro já não é PGR. Agora é Joana Marques Vidal. E os inquéritos são uma treta.

Profundo 19

A diferença entre uma colcheia e uma colmeia está na medida. Isto é: uma colmeia corresponde exactamente a uma semicolcheia. E deve servir-se de preferência numa seminfusa.

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domingo, 21 de outubro de 2012

Viva a liberdade! Abaixo as cuecas!

Christina Aguilera não usa cuecas. A cantora norte-americana diz que gosta de se sentir livre e as cuecas não deixam. Às tantas, quando Vítor Gaspar nos manda baixar as calças só está a pensar no nosso bem.

Henrique Monteiro e o efeito "desvastador"


Escreve o jornalista Henrique Monteiro, no seu blogue Chamem-me o que quiserem, que publica no semanário Expresso, de que foi director: "O caso das escutas de Sócrates, independentemente da gravidade que tinham (e eu nunca soube de que constavam) teve um efeito desvastador na Justiça."
Pois teve. Um efeito completamente "desvastador". Ó Henrique, posso chamar-lhe... à atenção?

Escutas picantes

Pedro Passos Coelho diz que tem "todo o prazer e todo o gosto" em que sejam tornadas públicas as escutas que o apanharam no âmbito do processo Monte Branco. Mas quê, eram chamadas de valor acrescentado, metiam suspiros e coisa e tal?

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sábado, 20 de outubro de 2012

Portugal quase 2013: de volta à fressura

Há pelo menos uma grande superficie do Porto que está a vender fressura às pessoas como se fosse para dar de comer aos cães. Mas é para a mesa das pessoas. As pessoas andam com fome e pedem a fressura. Nas lojas de congelados, as cabeças de pescada foram cortadas ao meio e as caras de bacalhau saem como pãezinhos quentes. As pessoas, que andam com fome e nunca na vida cozinharam (e não sabem cozinhar), agora olham para umas postas esquisitas, perguntam "que peixe é este?, é bom para quê?", os funcionários dos frigoríficos fazem o papel respectivo, inventam no momento um nome qualquer para o peixe e dizem que "é bom para o forno, para fritar, para a brasa, para estufar, para caldeirada, é bom, muito bom", e o peixe é um merda mas as pessoas querem acreditar que é bom, muito bom, porque é multifunções e muito mais barato do que o peixe a sério e estão com fome. E levam. E são levadas. E está bem: o polvo e as lulas agora são potas. Filhos da puta que nos puseram assim. Nos talhos, o fígado para iscas e os ossos da suã são hits nacionais. Os pescoços de frango também e as asas é um ar que se lhes dá. As pessoas estão sem dinheiro e têm fome. As pessoas não têm emprego e as que têm trabalham para pagar impostos.
A ver se me faço compreender: sempre fui praticante de asas e pescoços de frango, de ossos da suã, de iscas de fígado, de caras de bacalhau e de cabeça de pescada, se for inteira. Fui e sou. Sei dar-lhes o valor e as voltas: cá em casa são petiscos. Ainda não necessidade. À fressura (deixem-se lá de malícias) é que nunca mais tornei.
E em miúdo até era eu quem ia ao Talho, a mando da minha mãe, comprar "um quarto de fresura" para a massa do almoço, "se faz favor". Só havia um talho na vila, e por isso era com maiúscula, e não há uma mãe como a minha. Se acham que é lugar-comum, isto da minha mãe, estão redondamente enganados. Perguntem em Fafe, chama-se Alexandrina e vão ficar admirados. Mas a minha mãe hei-de contá-la como deve ser mais lá para diante.
Já sabem que éramos pobres. Comíamos "fresura" porque era o mais em conta que havia aparentado com carne para comermos à semana. Eu aprendi a gostar e gostava sobretudo do rinca-rinca do cano. Já a parte do bofe fazia-me uma certa impressão e ainda hoje sou contra as chiclas. Ao domingo comíamos bife, é preciso que se note, porque a minha mãe tinha artes de ilusionista, truques de economia. A minha mãe fazia comida muito boa e devia ser ministra das Finanças.

A minha mãe passou por muito e diz que o 25 de Abril foi o melhor que aconteceu em Portugal. Isso e os títulos do FC Porto. A minha mãe não admite marcha-atrás. "Pobreza era no tempo do fascismo", diz a minha mãe, e os títulos do Benfica também eram. Mas, ó mãe, deixe lá o relato só por um bocadinho: estamos de volta à "fresura"?

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Manuel António Pina (1943-2012)

O que é preciso é Benfica

Parece que Joaquim Oliveira vendeu os jornais a Angola. E depois? Qual é o escândalo? O que é que Portugal perde com a passagem do Jornal de Notícias e do buraco do Diário de Notícias para as mãos de um grupo angolano? Perde independência? Isenção? Credibilidade? Transparência? Rigor? Qualidade? Profissionalismo? Competência? Seriedade? Memória? Deontologia? Dignidade? Referência? Jornalismo? Não se perde o que não há. Talvez se percam empregos. Mas estou em condições de assegurar que isso já aconteceu outras vezes, mesmo antes da chegada dos angolanos.

Uma vez, o estado-maior da Controlinveste descia no elevador do Edifício JN do Porto e eu também. Entrei a meio caminho para vir a casa comer a sopa. Era ir num pé e vir no outro. Disse boa tarde, mas ninguém me ligou. Aquela gente não ouve, não vê nem pensa para além do umbigo de cada qual. Iam todos entretidos na galhofa, preparando mais uma leva de despedimentos. A maior de todas. Eram os filhos do Joaquim, acolitados por um ou dois administradores anónimos limitados e pelo director de publicações, João Marcelino. E era exactamente Marcelino o animador de serviço, exibindo a capa do Diário de Notícias daquele dia. Dizia o também director do DN - "O que é preciso é isto: mete-se aqui este vermelhinho e está o assunto resolvido, é só vender".
João Marcelino referia-se à foto do Benfica que dominava a primeira página do DN. E (deixemo-nos de hipocrisias) não estava a dizer nenhuma asneira. Haja Benfica! O Diário de Notícias tem finalmente quem o compre.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fafense ou cabeceirense?

JORNAL DE FAFE
JORNAL O BASTO.COM

Sem querer tomar partido na disputa entre Fafe e Cabeceiras de Basto a propósito de um português campeão mundial que, no último fim-de-semana, passou ao lado das notícias nacionais - embora também se alcunhe "Animal" como o que aparece sempre na televisão -, faço questão de sublinhar o impressivo relato do Jornal O Basto. "O título foi conquistado ao fim de sete assaltos (em doze possíveis) em que António Sousa desferiu o golpe vencedor no olho do adversário". No olho. É de homem.
O fafense-cabeceirense ou cabeceirense-fafense António Sousa é atleta do Vitória de Guimarães.

Charlot e Pamplinas


Sendo certo que o jovem senador do PSD Jorge Moreira da Silva fala muito bem quando está calado, não deixa de parecer sintomático o "longo e ostensivo silêncio" com que, segundo o jornal Público, "respondeu" - claro que em nome de Pedro Passos Coelho - ao "silêncio de Paulo Portas sobre o Orçamento de Estado". No atraso de vida em que nos meteram, o regresso ao cinema mudo também está bem. Mas se esta merda começa a ser legendada...

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vítor Gaspar, incompetente e desorientado

Vítor Gaspar, alegado ministro das Finanças de Portugal e génio da treta, pediu aos deputados do PSD e do CDS para proporem cortes na despesa do Estado. Porque ele não sabe. Ele não não faz a mínima ideia do que anda a fazer.

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Foto Hernâni Von Doellinger

Ideia genial: os pobres que paguem a crise

Portanto, feitas as contas, os trabalhadores e pensionistas vão pagar 70 por cento do défice. Acho justo. E é uma receita de génio. Bem empregue o dinheiro que o País gastou com a educação cara de Vítor Gaspar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

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Foto Hernâni Von Doellinger

Vou ter saudades do Público

O jornal Público, para além de ser o melhor jornal português de todos os tempos - e é por isso que não faz falta e vai acabar -, tem muita piada. Por exemplo: "O que farão os arquitectos quando já não puderem construir?", pergunta o futuro ex-periódico de Belmiro de Azevedo. Os arquitectos, a angústia dos arquitectos, que constroem. Há também os empreiteiros, os mestres-de-obras, os pedreiros, os carpinteiros, os trolhas, os electricistas, os canalizadores, os ó-moço-traz-uma-cerveja, que também dão uma mãozinha nas obras. Mas não sei se este pé-rapado é do Bloco de Esquerda e propenso a psicanálises. Portanto: sim, o que farão os arquitectos quando já não puderem construir? Já não vão poder ler o Público, isso parece certo.

Agora, isto é o que eu digo e repito, sob juramento: o Público foi o melhor jornal português de todos os tempos. Vai fazer falta a Portugal e é um crime que o liquidem. É um crime. Peço desculpa por não ter arranjado melhor homenagem do que esta.

sábado, 13 de outubro de 2012

O que é que o patriarca tem contra as procissões?

José da Cruz Policarpo disse ontem, em Fátima, que a democracia na rua corrompe a "harmonia democrática". Fala bem o cardeal patriarca de Lisboa: o povo merece e tem direito a um lugar digno para exercer o poder, mas, enquanto não chega a São Bento, que mal é que tem a rua? Que mal é que têm as manifestações de fé numa vida melhor? Que mal é que tem a revolução?
Foi na rua que o revolucionário Jesus Cristo afrontou os poderosos e a "harmonia" do Seu tempo, em nome e para salvação dos pobres e oprimidos de todos os tempos. Foi na rua que Jesus fez o Sermão da Montanha, como o próprio nome indica, e nos deu as Bem-Aventuranças e nos ensinou o Pai-Nosso e o perdão. Foi na rua que o Senhor nos mandou sair à rua: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois, quem pede recebe; e quem procura encontra; e ao que bate abrir-se-á. Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? (Mateus, 7:7-10). Foi na rua que o Filho do Homem curou cegos, coxos, paralíticos e leprosos, confraternizou com "pecadores" e tocou os corações. Foi na rua que Lhe cantaram hossanas e O vilipendiaram até à morte. Na rua. O radical JC era um grande fã das actividades ao ar livre. E, a partir de cinco papos-secos e dois carapaus, até foi Ele o inventor do piquenicão. Truque de nada: dar de comer a quem tem fome.
Mas falou bem o cardeal patriarca de Lisboa. Em Fátima - onde preside à manifestação do 13 de Outubro. Ao menos ficou definitivamente assente de que lado é que ele está. Era portanto isto o que, neste momento, Sua Eminência tinha a dizer aos pobres de Cristo em Portugal: para casa, suas bestas!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Génio de contrafacção

Parecendo que não, há uma diferença assinalável entre o génio da lâmpada e o génio da garrafa. Eu, por exemplo, embora também aprecie a competência e o rasgo de um bom electricista, dou muito mais valor à sabedoria decilitrada de um bêbado. Depois temos o ministro das Finanças, que é apenas um falso génio. Um génio da treta.

Alma de poeta

Os meus dentes saem-me à alma. São sensíveis.

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Foto Hernâni Von Doellinger

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

E o PS é um deserto

Querem uma a sério? Mesmo a sério? Tomem lá esta: vamos todos juntos pensar no PS. No PS de António José Seguro. No PS que está atrás do líder ou que vem à frente falar por ele - e não é o caso de António Vitorino. Pensemos com muita força, a ver se o PS aparece. Já apareceu? Vê-se qualquer coisinha, não é?, mas não se percebe bem o quê. Então agora tentemos imaginar dois ministros credíveis no PS de Seguro, para o caso de ser preciso. Dois! Conseguiram encontrar? Eu também não.

Não sei se é por isso que Mário Soares diz: "Sou democrata e sei bem que não há democracia sem eleições. Mas há momentos em que as eleições não se justificam porque não resolverão nada e podem antes complicar muito a situação". Pois.

A Primeira República em Fafe

O livro "A Primeira República em Fafe - Elementos para a sua história", de Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite, é apresentado esta sexta-feira, 12 de Outubro, no Salão Nobre do Teatro-Cinema de Fafe. A sessão começa às 21h30 e tem entrada livre.
A obra, com prefácio de Maria Alice Samara, é uma edição do Núcleo de Artes e Letras de Fafe.

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Relvas nega

Jornal PÚBLICO

O papel de Miguel Relvas no Governo é o de negar. Relvas é o negador-geral da república. Nega sempre, mesmo quando lhe perguntam as horas. Relvas nega as trafulhices em que andou metido ou as alcavalas em que se meteu. Nega também os estampanços e filhadaputices do Governo. Relvas nega e sua, como nos filmes suam os negadores da pior espécie. É preciso negar? O Relvas vem a correr e nega. Pergunta aos assessores - o que é agora, o que é agora? - e nega. Percebo a lealdade siciliana que une Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas: um primeiro-ministro que não afirma precisa de um ministro Adjunto que negue. E vice-versa. Não acredito que seja mais do que isso.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Só os professores? Nem os fiéis defuntos escapam.

Os professores portugueses estão entre os docentes europeus cujos salários foram mais afectados pela crise económica, segundo um relatório da Comissão Europeia. Não por acaso, passa-se o mesmo com os salários dos taxistas portugueses, dos padeiros, dos electricistas, dos torneiros-mecânicos, dos tecelões, dos cozinheiros, dos polícias, dos médicos, das sardinheiras, dos enfermeiros, dos músicos, das prostitutas, dos pescadores, dos estivadores, dos lavadores de montras, dos resineiros, dos canalizadores, dos alfarrabistas, dos sapateiros, dos tasqueiros, dos lavradores, dos empregados de café, das floristas, dos talhantes, dos bancários, dos revisores, dos guarda-livros, das telefonistas, de todos os eiros, eiras, ários, árias, ores, oras, ões, onas, antes e istas, dos fiéis de armazém e dos fiéis defuntos.

Eles vão voltar para tomar conta do parque

Foto Hernâni Von Doellinger

Os Blur são a primeira banda confirmada para a segunda edição do Optimus Primavera Sound, que se realiza no Parque da Cidade do Porto entre os dias 30 de Maio e 2 de Junho do próximo ano. A notícia da repetição do evento caiu como uma bomba entre a fauna local, que reuniu imediatamente em plenário e decidiu marcar uma manifestação de protesto contra o desassossego que aí vem. Será para a semana, em frente à Câmara Municipal. Há, no entanto, quem prefira emigrar. E a debandada já começou.


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sábado, 6 de outubro de 2012

Eu quero uma república das bananas. E do pão.

A questão foi pertinentemente colocada numa reportagem da TVI24. Que República queremos ter? Se me perguntassem a mim - mas a mim só me perguntam o caminho para o IKEA -, eu tinha a resposta na ponta da língua: quero uma república das bananas. E das maçãs e dos pêssegos, do pão e do carapau, do frango de aviário e do leite, da massa de cotovelo e da água. Uma república republicana, com comida na mesa, até na mesa dos trabalhadores. E com trabalho para os trabalhadores. E com gente séria no Governo. E com um presidente que seja da República e deste mundo.
É decerto por ter estas ideias malucas que ninguém me pergunta nada, a não ser o caminho para o IKEA. Só os galegos é que querem saber a minha opinião.

Menopáusicas de todo o mundo, uni-vos!

Manuel Carvalho da Silva, ex-líder da CGTP e futuro candidato à Presidência da República, pediu ontem "um acto colectivo de afrontamento". O Governo que se ponha a pau!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Temos santo ou andam a brincar com o Tó-Zé?

A escolha das fotografias nos jornais não é inocente. Nos últimos dias, o Público publicou pelo menos três vezes uma curiosa foto de António José Seguro. É o retrato abaixo, à esquerda. Ao lado, a imagem de São Domingos Sávio.

E não voltes!

Pedro Passos Coelho faz tanta falta a Portugal como uma viola num enterro. Já em Bratislava é uma presença "indispensável". Ele que se deixe lá ficar.

A bandeira está direita...


... Portugal é que está ao contrário.

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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Para bater no Sporting não são precisos tomates

O Sporting perdeu hoje um jogo de futebol com o Videoton, na Hungria. O Videoton é treinado pelo português Paulo Sousa. O Sporting perdeu por 3-0. Era um jogo de futebol, estas coisas acontecem, mas o que eu ouvi na rádio parecia o fim do mundo. A rádio é pública. No relato e nos comentários, o Sporting foi desancado sem dó nem piedade; Sá Pinto levou tareia até mais não. O clube Sporting está sem governo, é verdade, a equipa não joga nada e Sá Pinto nunca na vida podia ser treinador de futebol. Bater no Sporting é fácil. Mas eu gostava de (ou)ver os dois peitudos da Antena 1, um lá e o outro no sofá, a falarem assim do FC Porto ou do Benfica. Saberia então se têm tomates.

E o mar enrola na areia

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Desta vez sempre foi. As obras "começaram" em Março. E estão praticamente concluídas. Muitos parabéns.

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"Em sede de IRS" é outra limpeza

Foto Hernâni Von Doellinger

Vítor Gaspar é um génio sem ideias. É uma criatura que pensa que pensa. O ministro das Finanças demora muito a falar e mesmo assim o pensamento nunca lhe chega a tempo quando abre a boca. A indigência política de Vítor Gaspar tende a esconder-se atrás de siglas. E o descaramento também. A TSU não resultou? Gaspar faz de conta que percebeu a mensagem e agora chama-lhe IRS. É ainda mais pesado e em cima dos mesmos - mas ser depenado "em sede de IRS" é outra limpeza, não é?

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O mordomo do Papa e os filhos da púrpura

Já não bastava a indecência de o Papa ter mordomo. Agora saem-me em fascículos as histórias do mordomo, que está a ser julgado por ter posto ao léu as poucas-vergonhas da Igreja de púrpura. Algumas. O mordomo é o homem que tem por "funções vestir o Papa e viajar à sua frente no papamóvel". Coça-lhe as costas, chega-lhe os chinelos, conta-lhes as últimas, faz-lhe a cabeça, dá-lhe uns palpites e saca ao velho informações a bem dizer de confessionário, tudo exactamente como Jesus Cristo recomendou a São Pedro quando lhe entregou as chaves do Vaticano. Está na Bíblia.
Isto de o Papa ter mordomo e de o mordomo vestir o Papa e passear no papamóvel com o Papa e de tomar o pequeno-almoço com o Papa e de intrigalhar com o Papa e de o Papa intrigalhar com o mordomo, eles os dois no serrote, de xícara na mão e mindinho espetado, filhos da púrpura acima, filhos da púrpura abaixo, faz-me lembrar o nosso José Castelo Branco, Deus me perdoe. O "Conde" também tinha mordomo e também acabaram mal. A minha Igreja desgraça-se.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Vamos lá definir... móveis

Foto Hernâni Von Doellinger

Relógios de pulso, artigos em prata, cristais e bijutaria das melhores procedências? Nos Móveis Azevedo, obviamente. Estabelecimento comercial que também dispõe de secção de geriatria e ortopedia.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pessoas de pele e osso

"Uma coisa é dar aulas e ter modelos académicos, outra é governar pessoas de carne e osso", disse Marcelo Rebelo de Sousa, comentando as últimas tropelias do alegado primeiro-ministro, dos ministros e do paraministro António Borges. O Professor Marcelo queria dizer: pessoas de pele e osso. De pele e osso.